O mercado do boi gordo brasileiro atravessa um período de firme valorização, impulsionado pela forte demanda internacional, redução na oferta de animais prontos para abate e melhor ritmo de consumo interno. A tendência é de continuidade da alta até o fim do ano, segundo análises de mercado e dados oficiais do setor.
Exportações em ritmo acelerado
As exportações de carne bovina seguem em forte ascensão.
Nos primeiros dias úteis de outubro, o Brasil embarcou 111,9 mil toneladas de carne bovina (fresca, resfriada e congelada), com uma média diária de 13,9 mil toneladas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Comparativo com 2024:
- +13,9 % em volume exportado
- +35,6 % em receita (US$ 621 milhões)
- +19,1 % no preço médio (US$ 5.551,60/t)
A China permanece como principal destino, mas outros mercados — como México, Chile e União Europeia — têm aumentado suas compras, fortalecendo o fluxo exportador.
Escalas curtas e valorização regional
Com a oferta reduzida de animais terminados, as escalas médias de abate estão em torno de oito dias úteis, o que reforça a disputa por bois prontos e mantém os preços firmes.
Frigoríficos menores relatam dificuldade em completar suas programações, o que pressiona ainda mais as cotações.
Cotações médias da arroba:
|
Estado |
Valor médio (R$/@) |
Tendência |
|
São Paulo |
315,00 |
Alta |
|
Mato Grosso do Sul |
322,27 |
Alta |
|
Mato Grosso |
296,54 |
Alta contínua |
|
Goiás / Minas Gerais |
298–299 |
Estável a alta |
|
Tocantins |
294,36 |
Alta leve |
Na B3, o contrato de dezembro/2025 está cotado a R$ 327,95/@, refletindo a expectativa de manutenção da valorização.
Mercado interno reage positivamente
Com a aproximação do fim do ano, o pagamento do 13º salário e o aumento de contratações temporárias, o consumo de carne bovina tende a crescer.
Esse movimento interno, somado à redução de oferta, reforça a sustentação dos preços.
Segundo a FeedFood, a valorização da arroba do boi gordo e da novilha indica uma recuperação consistente no mercado pecuário, com expectativa de melhora na margem do produtor e retomada gradual da confiança.
Perspectivas
Com exportações firmes, consumo interno reagindo e oferta controlada, o cenário indica continuidade da alta no curto e médio prazo.
Para o produtor rural, esse é um momento estratégico para:
- acompanhar diariamente as cotações regionais da arroba;
- monitorar o fluxo das exportações e dados da Secex;
- observar o comportamento das escalas de abate;
- e planejar suas vendas ou retenções de animais com base no mercado futuro.
“O equilíbrio entre oferta restrita e demanda aquecida deve manter o mercado do boi gordo em trajetória de valorização até o fim de 2025”, conclui o levantamento da CompreRural.
Fontes
- CompreRural.
- FeedFood.
- Diário do Acre.